20 de Março de 2015

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20/03/2015 -

Jorge Vieira -

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Primeiro abraço do Rio Bancanga marca celebração ao Dia Mundial da Água

A Associação Comunitária
Itaqui/Bacanga e Rede Coroado de Natal darão continuidade ao protocolo de
criação do Comitê de Bacias Hidrográfica do Rio Bacanga, nesta sexta feira,(20), às 16h, com a realização do primeiro abraço ao Rio Bacanga, unindo as
suas margens pelas mãos dos moradores da área Itaqui Bacanga e Polo Coroadinho,
comunidades localizadas as margens o rio, em comemoração ao Dia Mundial da Água,
visando a sensibilização a conservação deste patrimônio natural da cidade.



A ação de impacto social tem o
objetivo de contribuir para o desenvolvimento da consciência da população sobre
a importância do recurso natural para a preservação da vida. Além disso,
proporcionar o debate sobre as medidas e as estratégias para a proteção e
conservação do Rio Bacanga, assim como os demais recursos hídricos situados na
região, afirmou George Pereira, secretário Executivo da ACIB.

A ação, realizada a partir das
16 horas de sexta-feira (dia 20), em toda a extensão lateral esquerda da
Barragem do Bacanga, no sentido da Igreja de São Pedro para o Porto do Itaqui,
reunirá populares, brigadas mirins e alunos de escolas publicas da rede
municipal e estadual. O momento simbólico visa sensibilizar a população de São
Luís quanto à importância da preservação da água e o desenvolvimento
sustentável da Bacia.


De acordo com o conselheiro do
Ecomuseu Sitio do Físico, Fernando Mendonça, esse abraço ao rio Bacanga tem o
“sentido simbólico de trazer para dentro da existência de cada morador
desta Ilha o conhecimento desse rico e belo patrimônio natural, pois quem não
conhece não ama e nem conserva. Precisamos preservar as nossas águas e matas e
garantir um desenvolvimento seguro e sustentável para toda Bacia.”


O segundo momento dessa
mobilização, o II Fórum Territorial do Bacanga, acontece no dia seguinte
(sábado) a partir das 08hs na sede da Acib, em frente á Praça do Anjo da
Guarda, contando com a participação dos moradores, empresários, representantes
das organizações comunitárias e do poder público, o momento será marcado com o
protocolo de criação do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Bacanga que surge
com a finalidade de promover a uma melhor gestão dos recursos hídricos da
região.


Aprogramação do II Fórum
Territorial do Bacanga consta de duas mesas de debates sobre a “Importância
estratégica da Bacia do Bacanga no âmbito Sócio Econômico e no âmbito Ambiental
para sustentabilidade de São Luis, a Regularização Fundiária e Questões Legais
como Atualidades do Programa de Recuperação Ambiental e Melhoria da Qualidade
de Vida da Bacia do Bacanga”.  As oficinas contarão com a participação de
Senhores Ted Lago, Secretário Gustavo Marques, Roberto Furtado, a Professora Doutora
Edileia Dutra e os juízes Dr. Douglas Martins e Dra. Luzia Nepomucena e
lideranças comunitárias com autoridade sobre o tema discutido, onde abordarão
estudos sobre um alerta para os problemas de abastecimento de água em São Luis,
devido o péssimo estado de conservação do Rio Bacanga.

A Bacia, o rio Bacanga e a sua importância – É a maior bacia hidrográfica
totalmente inserida no Município de São Luís e deságua simultaneamente na Baía
de São Marcos. Além do Rio Bacanga, tem como principais afluentes o Rio das
Bicas, o Igarapé do Tapete, o Igarapé Itapicuraíba, Igarapé do Tamancão e
Igarapé do Piancó.


O Rio Bacanga tem o percurso
de 16,8 km, enquanto a Bacia do Bacanga inclui várias áreas de abrangência
populacional, tais como Vila Embratel, Campus UFMA, Sá Viana, Pindorama, João
Paulo, Filipinho, Coroadinho, Praia Grande e Sacavém, onde residem cerca de
230.000 pessoas, quase um quarto da população da cidade. Essas áreas têm como
principais características o número total de 45.183 domicílios conforme censo
demográfico de 2000 (IBGE); mais de 90% das famílias ganham menos de dois
salários mínimos; 70% das vias públicas da região sem asfalto; 20.000
domicílios são abastecidos de água potável de forma irregular; menos de 30% da
população da área é atendida por redes coletoras de esgotos; 100% não tem
esgoto tratado; o sistema de drenagem das águas pluviais é totalmente
inadequado, causando altos índices de poluição, com graves riscos diretos à
saúde pública; menos de 30% da população da área é atendida por redes coletoras
de esgotos; aproximadamente 500 famílias vivem em área com alto risco de
inundação; e, finalmente, o saneamento inadequado contribui para a deterioração
da qualidade da água do lago da barragem do Bacanga.


Na Bacia do Bacanga estão
importantes testemunhos da história da cidade e de suas manifestações
culturais, como as Ruínas do Sítio do Físico, Laranjeiras, Piranhenga e os
sambaquis do Estadual do Bacanga, o Sítio Tamancão (hoje transformado em
Estaleiro Escola), a Festa da Juçara no Maracanã, a encenação da Paixão de
Cristo no bairro do Anjo da Guarda, e as ruínas de uma fábrica de soque de
arroz no Sá Viana.


Além dessas relíquias
históricas, aí está o Parque Estadual do Bacanga, a sudeste do centro urbano,
entre a margem direita do Rio Bacanga e a região do Maracanã, e a Área de
Proteção Ambiental do Maracanã, entre o Parque Estadual do Bacanga, ao norte, e
a localidade de Rio Grande, ao sul, englobando a localidade de Maracanã e parte
da Vila Maranhão, Vila Sarney, Vila Esperança e Rio Grande, constituem
importantes reservas de recursos naturais e paisagísticos da cidade. Na APA do
Maracanã está situado o Reservatório Artificial do Batatã, de onde vêm 30%
parte da água consumida em São Luís.


O grande paradoxo atual dessa
região, de grande importância histórica, cultural e econômica para a Província
do Maranhão no século XIX, é que, embora região detenha um dos piores IDH –
Índice de Desenvolvimento Humano da Capital, a bacia do Rio Bacanga está
cercada da maior malha rodoferroviária, aeroportuária e portuária de todo
Estado, encontrando-se dentro do Polo Industrial da Capital e com o maior
campus da Universidade Federal no Maranhão, além do Instituto Federal de
Educação e Tecnologia do Maranhão – IFMA.

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