5 de Abril de 2015

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05/04/2015 -

Jorge Vieira -

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A Páscoa do amor e do serviço

Por Flavio Dino

Antes de celebrar a Santa Ceia, Jesus Cristo
protagonizou um dos mais belos momentos da Sua história, lavando os pés dos
apóstolos que o seguiam, em uma mensagem simples e clara que ecoaria por todos
os tempos. O gesto de humildade às vésperas de Sua morte e posterior
ressurreição foi resumida por Ele mesmo no diálogo que teve com Pedro, em que
disse: “Se eu vos lavei os pés, vós deveis lavar os pés uns aos outros. Porque
eu vos dei o exemplo para que, como eu vos fiz, façais vós também”
(João, 13:14-16).

Poucas horas antes de ser preso pelos poderosos da
época, Ele, o próprio Messias diante de seus mais leais seguidores, realizava
uma cerimônia normalmente executada pelos servos diante dos convidados dos seus
senhores. Nesta passagem, Jesus mais uma vez inverte os usos e leis daquela
época para dar exemplo de que o verdadeiro amor de Deus está na vida em amor
entre irmãos do mesmo Pai.

Neste domingo de Páscoa, escolho esta passagem
dentre tantas outras belas narrativas da Paixão de Cristo porque dialoga com mais
proximidade com as reflexões para as quais a Igreja Católica no Brasil convidou
seus seguidores a se empenharem em 2015. No início do período da Quaresma,
escrevi um artigo neste mesmo espaço em que tratamos sobre o lema da Campanha
da Fraternidade deste ano lançada pela Conferência Nacional dos Bispos do
Brasil (CNBB): “Eu vim para servir”, por intermédio da qual toda a comunidade é
convidada a fortalecer o espírito de compaixão e serviço ao próximo como a
atitude sobre as quais se baseiam as práticas cristãs.

As páginas da Bíblia que narram a
paixão, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo no
período da Páscoa trazem aos cristãos de todo o mundo o sentido mais forte do
exercício da fé religiosa, quando o Filho do Espírito Santo feito carne morreu
crucificado. É muito significativo que essa “derrota” de Jesus seja o
passo fundamental para a afirmação da vitória da Vida, quando Maria Madalena
constatou que o sepulcro onde ela pensava encontrar Jesus estava vazio. O
jardineiro que Maria Madalena então encontrou se revelou ser Jesus. Eis uma
mensagem poderosa da Ressurreição: Deus vive inclusive na relação que
estabelecemos com outros seres humanos, por isso é imprescindível romper com a
“globalização da indiferença” de que fala o Papa Francisco.

Todos os anos, celebramos o período da Páscoa para
não perder de vista a dimensão do que os ensinamentos cristãos têm de
mais profundo e que estão inscritos nesses exemplos deixados por Cristo.
Temos a oportunidade de, todos os dias, fazer o bem, servir ao próximo,
contribuir para que o mundo tenha mais justiça. As obras de Cristo não são
finitas, não se esgotaram no momento em que aconteceram, porque representam até
hoje os caminhos para a prática verdadeiramente amorosa diante da vida e
de nossos irmãos.

No Livro de João, no capítulo 14, Jesus resume o
que espera da prática dos seus apóstolos, que se espalhariam pelo mundo e se
tornariam milhões. “Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em
mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu
vou para o meu Pai,” disse Jesus durante a Santa Ceia. Assim, Jesus
ensinou ao mundo a dimensão radical da vida a serviço de outras vidas. Que
sejamos capazes de exercitar esse ensinamento todos os dias. Que a Páscoa traga
fraternidade e transformações positivas para todos.

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